Família do jovem Gabriel Cavalheiro se manifesta após morte de produtor rural em ação da Brigada Militar no sul do Estado

Família do jovem Gabriel Cavalheiro se manifesta após morte de produtor rural em ação da Brigada Militar no sul do Estado

Fotos: Arquivo Pessoal/Reprodução

A família de Gabriel Marques Cavalheiro, que morreu em 2022 após abordagem da Brigada Militar em São Gabriel, divulgou nota em que se solidariza com familiares e amigos de Marcos Nörnberg, produtor rural morto durante uma ação policial na zona rural de Pelotas, na madrugada de quinta-feira (15).

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A manifestação foi assinada pela advogada da família de Gabriel, Rejane Igisk Lopes, e relaciona os dois casos a um padrão de atuação policial que, segundo o texto, precisa ser revisto. Na nota, a família afirma que a dor vivida pelos parentes de Nörnberg é a mesma enfrentada por aqueles que perderam familiares em intervenções estatais.

A nota aponta que os casos não podem ser tratados como episódios isolados e defende mudanças nas práticas institucionais das forças de segurança. A família de Gabriel afirma repudiar toda forma de violência policial considerada injustificada e cobra apuração, responsabilização e fim da impunidade.


Confira a nota da família de Gabriel sobre a atuação da Brigada Militar

A família de Gabriel Marques Cavalheiro, assassinado em decorrência de ação da Brigada Militar, manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos de Daniel Nörnberg, vítima de recente e trágico episódio de violência policial. A dor que hoje atinge a família de Daniel é a mesma que atravessa permanentemente aqueles que perderam seus entes queridos em intervenções estatais marcadas pelo abuso, pela arbitrariedade e pelo desprezo à vida. São histórias distintas, mas unidas por um mesmo padrão de atuação que insiste em se repetir e que não pode mais ser naturalizado. É inaceitável que forças de segurança, cuja função constitucional é proteger, atuem com truculência, sem proporcionalidade e à margem da legalidade, produzindo violência e morte. 

Cada caso não é um “desvio isolado”, mas um sinal de um problema estrutural que exige mudanças concretas nas práticas institucionais. A família de Gabriel reafirma seu repúdio a toda forma injustificada de violência policial e se soma às vozes que exigem verdade, justiça e o fim da impunidade. Nenhuma família deveria ser condenada a transformar o luto em luta para que o óbvio seja reconhecido: a vida importa, e o Estado não pode matar.
Nota publicada pela advogada constituída da família de Gabriel Marques Cavalheiro

Relembre os casos

Pelotas
O caso citado na nota envolve a morte do produtor rural Marcos Nörnberg, 48 anos, baleado durante uma ação da Brigada Militar na zona rural de Pelotas. Segundo informações, equipes policiais realizavam diligências na região por volta das 3h de quinta-feira, em busca de uma quadrilha suspeita de sequestros.

Durante a operação, os policiais cercaram a residência do produtor rural. Conforme os registros iniciais, Nörnberg teria sido surpreendido pela movimentação ao redor da casa e, ao acreditar que se tratava de um assalto, pegou uma arma de fogo que possuía. Ainda conforme a versão apresentada, ele teria apontado a arma em direção aos policiais, momento em que houve disparos.

O produtor rural foi atingido por um tiro efetuado por um PM e morreu no local. A arma da vítima estava registrada e legalizada.

A Brigada afastou 18 policiais militares que envolvidos na ação.

Caso Gabriel 
Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, morava em Guaíba, na Região Metropolitana. Em agosto de 2022, ele estava em São Gabriel, para prestar o serviço militar obrigatório. O jovem desapareceu no dia 12 daquele mês e foi encontrado morto em um açude, na localidade de Lava Pé, em 19 de agosto.

Gabriel (sentado) havia sido abordado pela Brigada Militar no dia 12 de agosto de 2022Divulgação

De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público, Gabriel foi abordado por policiais militares após uma denúncia de perturbação de sossego. Durante a abordagem, um dos agentes teria agredido o jovem com golpes de cassetete na região do pescoço. Em seguida, ele foi colocado em uma viatura e não foi mais visto. O corpo foi localizado dias depois.

Os três PMs que abordaram Gabriel negam o crime e dizem que deixaram o jovem com vida. Eles estão presos desde agosto de 2022 e devem ser levados a júri popular. Os policiais foram excluídos da Brigada Militar em novembro de 2025.

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